Quem o cristão realmente é após a conversão é uma das perguntas mais importantes da fé cristã.
Quem o cristão realmente é após a conversão? Essa pergunta define toda a experiência da fé cristã. A maneira como alguém se enxerga diante de Deus determina como ora, como lida com o pecado, como serve, como se relaciona com a igreja e até como enfrenta a vida cotidiana.
Grande parte da confusão no meio cristão nasce de uma identidade mal resolvida, muitos crentes creem em Jesus, mas continuam se vendo como “pecadores tentando melhorar”. O Novo Testamento, porém, apresenta uma realidade muito mais profunda: em Cristo, o cristão não é uma versão reformada do velho homem, mas uma nova criação.
A identidade em Cristo, quem o cristão realmente é
A identidade em Cristo não é um conceito motivacional, mas uma realidade espiritual objetiva. Ela descreve quem o cristão é, não apenas como ele deve agir. O apóstolo Paulo afirma em 2 Coríntios 5:17: Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo.
Observe que o texto não diz “está se tornando”, mas “é”, a conversão não é apenas mudança de comportamento, mas mudança de natureza, o cristão não recebe apenas perdão; ele recebe uma nova identidade.
O novo nascimento: mais que uma decisão, uma recriação
Jesus foi claro ao falar com Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7). O novo nascimento não é adesão religiosa, nem compromisso moral. É um ato sobrenatural de Deus.
No novo nascimento: O espírito humano é recriado, a velha identidade adâmica é substituída, uma nova vida é implantada no interior do crente. Tito 3:5 descreve esse processo como “regeneração”, regenerar significa gerar novamente, o cristão não é apenas perdoado; ele é gerado de Deus.
Espírito recriado: a base da nova identidade
O Novo Testamento ensina que o ser humano é espírito, alma e corpo, na conversão, o que nasce de novo não é o corpo nem a mente imediatamente, mas o espírito. Efésios 4:24 afirma que o novo homem foi criado segundo Deus, em justiça e santidade da verdade, isso significa que, no nível espiritual, o cristão já foi feito justo e santo.
Essa verdade é revolucionária, muitos vivem tentando se tornar aquilo que Deus afirma que eles já são em Cristo, a transformação da mente (Romanos 12:2) não cria a nova identidade; ela apenas alinha o pensamento à realidade já existente.
Pecador salvo ou santo em Cristo?
Aqui entramos em um dos pontos mais sensíveis e importantes da teologia cristã prática. Afinal, o cristão é um “pecador salvo pela graça” ou um “santo em Cristo”?
O Novo Testamento responde com clareza, Paulo escreve suas cartas “aos santos” que estão em Roma, Corinto, Éfeso e outras igrejas. Ele nunca chama os crentes de “pecadores”, mas de santos, justos, filhos e novas criaturas.
Isso não significa negar a possibilidade de pecado, mas redefinir a identidade, o pecado é um comportamento que pode ocorrer; ele não é mais a identidade do cristão. O cristão não peca porque é pecador; ele peca quando age em desacordo com quem realmente é.
O problema da teologia da identidade dupla
A chamada “teologia da identidade dupla” ensina que o cristão é, ao mesmo tempo: Justo e pecador, santo e condenado, filho de Deus e escravo do pecado. Essa visão gera uma fé confusa, dividida e instável, o cristão passa a viver oscilando entre culpa e esperança, confiança e medo, vitória e derrota.
O Novo Testamento não apresenta duas identidades coexistindo, mas uma nova identidade substituindo a antiga. Romanos 6 afirma que o velho homem foi crucificado com Cristo, algo crucificado não está em processo de cura; está morto.
Manter a identidade antiga viva no discurso pastoral é negar, na prática, o poder do novo nascimento.
Identidade e santificação: causa ou consequência?
Um erro comum é inverter a ordem, muitos acreditam que, ao se santificar, o cristão constrói sua identidade, o evangelho ensina exatamente o oposto: a santificação flui da identidade.
Quando o cristão entende quem é em Cristo: O pecado perde atratividade, a obediência se torna resposta, não obrigação, a transformação acontece de dentro para fora, a identidade não é o prêmio da santidade; é o ponto de partida.
Como a identidade afeta a vida cristã prática
Uma identidade mal resolvida produz: Culpa constante, medo da presença de Deus, oração insegura, vida cristã baseada em esforço.
Uma identidade firmada em Cristo produz: Confiança diante de Deus, oração ousada, comunhão saudável, crescimento espiritual natural.
1 João 4:17 afirma que assim como Ele é, nós somos neste mundo, essa declaração não aponta para arrogância espiritual, mas para segurança relacional.
Implicações pastorais e discipuladoras
Ensinar corretamente a identidade em Cristo: Liberta pessoas da culpa, cura relacionamentos espirituais, produz igrejas maduras, evita legalismo e permissividade.
Líderes que não tratam desse tema com clareza acabam discipulando pelo medo ou pela cobrança, líderes que entendem a nova identidade discipulam pela graça, pela verdade e pelo amor.
A identidade correta muda completamente a forma de viver a fé cristã.
Conclusão
O cristão não é um pecador tentando se tornar justo, é um justo aprendendo a viver de acordo com quem já é, a conversão não melhora o velho homem; ela cria um novo.
Quando a identidade em Cristo é compreendida, a fé deixa de ser uma luta diária por aceitação e se torna uma caminhada de descanso, crescimento e gratidão.
Esse é o coração do evangelho e o fundamento da Nova Aliança.



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